Thereza Rampinelli

A ROUPA É VOCÊ?

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Dissertar sobre marketing pessoal é pensar em maneiras de agir, ter posturas perante a comunidade e as organizações que solicitam serviços. Mas não é só isso. Esse seria o mesmo erro de definir marketing como propaganda. Um dos melhores conceitos sobre o tema: “diferente do que se comumente imagina, marketing pessoal não é divulgar uma melhor imagem de nós mesmos, mas sim nos tornarmos pessoas melhores. Reconhecer nossas deficiências e investir fortemente em nossas qualidades”.
 

Tom Peters, um dos mais respeitados nomes da Administração, diz que “uma carreira profissional é um portifólio de projetos que lhe ensinam novas habilidades, lhe conferem novos conhecimentos especializados, aumentam seu rol de colegas e reinventam você constantemente”. Assim como produtos sofrem inovações e evoluções, nós também devemos passar pelo mesmo procedimento.

Desde o Império Romano as pessoas já usam vestimentas para estabelecer padrões sociais. No teatro, um mesmo ator interpretava diversas personagens. Era só mudar as máscaras e utilizar tons de voz diferentes para a encenação. Hoje em dia, todos somos atores sociais e representamos diversos personagens com o mesmo rosto, sem máscaras, mas com vestes para momentos apropriados.
 
Estudei em colégios religiosos, os melhores de minha cidade. O ensino era rigoroso, e a preocupação com as roupas uma constante. Devido a este fato, decotes nem pensar, mini saia era coisa do “demo”. O uniforme era uma saia comprida azul, de pregas, com blusa branca. Tinha que ser tudo impecavelmente bem passado.
 
Já na Universidade a escolha me pertencia. A roupa era coerente com a jovem que adorava o meio político. Sendo assim, usava calças jeans (as legítimas Lee), batas indianas e bolsa de couro, sempre de lado, pois era uma homenagem a Che Guevara. A doce ilusão da urbana socialista. Meu convívio era muito mais intenso com a Faculdade de Comunicação e Engenharia do que com a Faculdade de Direito, pois a maioria dos estudantes da minha faculdade na época primava pelas roupas mais sérias.
 
Na formatura me vesti a caráter e fui escolhida para fazer o juramento, que honrei.
 
Outro momento marcante de minha vida e atuação: a de gestante. Já não usava minhas batas de faculdade, nem as clássicas roupas de advogada, mas sim vestidos muito, muito largos. Como era bom interpretar esse papel, não mais sozinha, mas com outra artista, que sabia me chutar com suavidade para lembrar-me que estava viva.
O ciclo da vida: sou mãe. Meu melhor papel? Não. Seria muito piegas jogar a responsabilidade de felicidade sobre uma pessoa só.
 
Minhas atuais roupas de trabalho são as de uma executiva, melhor dizer: estilo Global. Uma fusão de Fátima Bernardes com Sandra Annerbeg.
 
Hoje, represento na cidade uma Instituição que possui muita credibilidade no meio empresarial e acadêmico e isso exige uma boa apresentação. Constantemente, faço palestras e participo de reuniões com empresários de diversos segmentos da economia e a formalidade é de praxe.
 
Porém, quando estou de férias não quero representar nenhum papel e muito menos ter preocupação com roupas e marcas. Quero ser eu mesma, dar o melhor de mim, ser filha e ser mãe, curtir meus pais enquanto eles estão entre nós e apreciar as belezas do
Criador.

 Thereza Rampinelli, advogada, educadora e palestrante motivacional:
palestra@therezarampinelli.com.br

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