Marcelo Gaio
ELIS REGINA – APENAS MAIS UMA LEMBRANÇA

Por Marcelo Gaio
Ontem, Elis Regina estaria completando 63 anos, mais precisamente no dia 17.
Fico pensando o que uma senhora de 63 anos estaria gravando. Qual seria sua seleção de repertório? De que forma faria essa seleção ?
Dias atrás, ouvindo a antiga “Como dois e dois”, do nosso lendário rei Roberto Carlos... e imaginei a Elis Regina cantando essa música.... letra muito elaborada, melodia interessante e a possibilidade de ser transportada para o jazz ou blues, assim como ela fez em “Rebento”, do Gilberto Gil. Ficaria irreconhecível e maravilhosa. Meu pensamento foi longe.... muito longe e desta forma descobri que ela está viva, a partir do ponto que conseguimos imaginar seus gestos, suas escolhas e as possibilidades que teria de mostrar novos nomes da música popular brasileira. Certamente gravaria Nando Reis, pelo vigor, pela intensidade. Talvez gravasse alguma música especial do Vander Lee...não sei... Essa história da música “Como dois e dois” me fez ver o quanto estamos órfãos de boa música, de qualidade. Com isso não me desfaço de novos talentos que surgem todos os dias, com famas repentinas e carreiras muito curtas. A Elis além de cantar, fazia pensar através do seu canto, no fundo, cada faixa de seus discos ou cd`s tinham uma história que se costurava com o todo da obra. Dessa forma o observador ao ouvir teria uma idéia bem clara do que exatamente a Elis estava querendo falar.
Artistas assim, com essa preocupação social é difícil acontecer, como também é rara a preocupação com a sonoridade, de como aquele “som” vai chegar ao ouvido das pessoas.
Estive presente em seu derradeiro show, já sem a presença do seu mentor maior e ex-marido César Camargo Mariano e vigor não faltava.... nem a língua apimentada se calou, pelo contrário, falava mais e mais, talvez tentando mostrar-nos uma forma de sobreviver ao inesperado, sobreviver sem o leite que sustenta e faz bem. O show “trem Azul”, na verdade tinha mais voz e menos som, menos arranjos, mas se compensava por uma interpretação primorosa quase levada à capela e aos acordes inimagináveis.
Seguindo a trilha das surpresas em mim, tive a oportunidade de ver uma entrevista com seu primogênito João Marcelo Bôscoli, fruto do seu casamento com Ronaldo Bôscoli e nessa entrevista ele mostrava um vídeo em que dividiam o palco da TV Globo em seus primórdios dias a Elis, a Regina Duarte e a Dina Sfat, parece que uma homenagem ao dia das mães, cada qual carregava no colo a sua representação e no colo da Elis estava o João Marcelo que nem um aninho tinha.
Senti uma emoção profunda, indescritível..... o mistério de Dina Sfat, a doçura muito doce da Regina Duarte e o sorriso enorme na boca da maior cantora que já passou pelo Brasil. Fiquei imaginando a garganta apertando do João Marcelo, de poder ver-se no colo da mãe e de como deve ser difícil ser filho de Elis Regina.
Envie sua sugestão ou opinião sobre o artigo para mgaio@acessa.com
(O conteúdo dos artigos desta seção é de inteira responsabilidade de seus autores)
Anteriores






