Ana Cristina de A. Pernisa

Um convite a se amar....

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Por Ana Pernisa

 

          Olá!
          Antes de começar a escrever, gostaria de saber: Praticaram o exercício do artigo anterior? Conseguiram exercitar a pergunta?  
          “O que sinto a meu respeito neste exato momento?”
          Essa é a pergunta que deve ser feita sempre que você decidir se amar e  cuidar de si mesmo.
          Relendo o texto que escrevi  da última vez,  me deparei com uma frase que me chamou a atenção e com a qual me deterei nessa nova reflexão.
          “Em vez de se remoer em culpa, que causa paralisia e não provoca crescimento, procure desenvolver a capacidade de perdoar, se perdoar e  aprender com seus erros.”
          O que quer dizer isso em sua essência?
          Quer dizer se permitir!!! Se amar!!! Se dar novas chances!!!
          Eu me deparo constantemente com uma crença, que as pessoas trazem e que a nossa cultura reforça   de que se olhar é sinônimo de egoísmo ou, de que com isso, não estaríamos nos importando com o outro. Eu mesma custei a entender que olhar para mim não quer dizer, necessariamente,   que estarei renegando o outro. Pelo contrário,  eu posso exercitar essa atitude e melhorar consideravelmente as relações ao meu redor, me tornando mais consciente do que realmente desejo e ter mais congruência nas minhas atitudes.
Quantas vezes, podendo até escolher outra opção que seria mais agradável para o contexto, abrimos mão da nossa vontade? Quantas vezes fazemos algo que não queremos com receio de contrariar o outro ou o grupo que convivemos?
          Por hábito de não pararmos para nos “ouvir” e assumir nossos reais interesses, nem cogitamos novas hipóteses ou  novas alternativas e,  acabamos por nos  anular.
          Se  pararmos para pensar, são  atitudes triviais que vamos deixando passar despercebidas como:  o que fazer no fim de semana, a escolha de um prato no restaurante, o tipo de filme que queremos ver no cinema... Vamos cedendo, cedendo, cedendo....  Porém,  cada vez que escolhemos esse caminho,  vamos perdendo o contato com o nosso real “eu”. Um belo dia, quando damos por nós, não sabemos porque, estamos insatisfeitos. Algo mudou. A relação não é mais a mesma. Perdeu-se o encanto. Estou cansado (a.).
          E, mais uma vez, comodamente, jogamos para o outro a responsabilidade do resultado que  nosso próprio ato nos revelou. Isso ocorre a todo instante, seja em um casamento, namoro , amizade, sociedade, um trabalho que não nos realiza. Não buscamos outros caminhos. Viciados em acomodação, nos falta forças....
          Pois é....  Isso acontece quando esquecermos de olhar para nós também, para nossos desejos e anseios. Um dia a “calda“ entorna. Adoecemos, nos deprimimos, nos tornamos impaciente, perdemos o brilho.
          Envolvidos em agradar ao máximo,  nem cogitamos a possibilidade de revezarmos nas escolhas. Ora um escolhe, ora o outro.... Dar prazos, renovar... E aí, a situação se esvai...
          Vocês já pararam para refletir que quando dizemos apenas sim para os outros, sem mergulharmos em nós, tomando contato com o que é sagrado em nós, estamos dizendo não a  uma pessoa que deveria nos ser muito querida e que precisamos aprender a zelar? Quem é essa pessoa? Nós mesmos.
Se formos olhar com carinho, nos mandamentos que regem a religião cristã, podemos ver, através do segundo mandamento, alguns indícios de sua importância: “Amar ao próximo como a si mesmo”.
          Eu pergunto:  Como eu posso amar ao outro se eu não sei me amar? Sem procurar me amar enquanto Ser?
Isso não é tarefa fácil. Requer a busca de um equilíbrio saudável entre dar e receber . De se permitir e se aceitar.
          Muitos preferem trabalhar no externo para não se deparar com suas próprias necessidades de apreciação e cuidado consigo mesmo. Como, por exemplo,  cuidar do outro sem se cuidar. Adianta? Você oferece qualidade? Idoneidade? Você aconselha ao outro mas, não pratica em você o que orienta. Você dá dicas de procedimentos saudáveis  mas, sua qualidade de vida deixa bem a desejar. Você chega em casa nervoso porque não respeitou um pouco seu espaço e,  desconta sua frustração em sua família. Isso é se amar? Você está em condição de amar? De aceitar com mais tolerância os desafios que a vida nos apresenta no dia a dia se você não respeita a si mesmo e seus limites?
          Observar seus limites com carinho é o primeiro passo de se poder vencê-los, dar um passo à frente. Coragem é ir apesar do medo. Se preparar e enfrentar! Se você não reconhece o seu sentimento interno, se permite se encarar, como você pode se amar?
          Porém, aqui também vai um alerta importante: No exercício do amor autêntico é importante não pular para o extremo oposto Não trocar anulação por egoísmo. É importante deixar claro isso. Os extremos não são bons. No Budismo se fala do caminho do meio. ...
          Vamos ter carinho com o outro, mas ... vamos ter carinho conosco também!!!
          Um abraço carinhoso e até a próxima.


Ana Cristina de A. Pernisa
Psicoterapeuta
Pedagoga
Terapeuta Floral
anapernisa@yahoo.com.br

 

(O conteúdo dos artigos desta seção são de inteira responsabilidade de seus autores)

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