Julio Martins
PLASMA E LCD: Tecnologias, Vantagens e Desvantagens
Por Julio Martins
Plasma e LCD, duas tecnologias que estão invadindo o mercado de forma rápida e com preços em queda. Recordo que em 1998 vi uma tv de plasma, em uma feira em São Paulo, e que custava R$ 100 mil.
Com isso, diante de tantas perguntas e desinformação em relação às tecnologias Plasma e LCD, eu resolvi compartilhar com todos uma pesquisa, que andei fazendo recentemente, sobre as duas tecnologias e quem sabe poder ajudar mais gente.
COMO FUNCIONA UM DISPLAY DE PLASMA
A tecnologia de displays de plasma não é tão nova quanto a gente acha. Data de 1960, mas se tornou comercialmente viável nos anos 90, quando mesmo tendo sido abandonada nos EUA, ela continuou a ser aprimorada no Japão pela marca Fujitsu.
Cada Pixel num painel de plasma é feito de 3 sub-pixels, sendo cada um destes uma “cavidade” preenchida por um gás raro chamado XENÔNIO, e tendo tipicamente um eletrodo na frente e outro atrás, embora haja outras configurações. Quando se aplica a cada par de eletrodos uma alta corrente, o gás se ioniza (grosseiramente os elétrons se "separam" dos núcleos) e entra no estado de "plasma", emitindo raios ultravioleta (ilustrados pelas setas em violeta na imagem abaixo), que nós não enxergamos.

Os raios UV atingem uma camada de "fósforo", mais propriamente chamado de material cintilante ou cintilador, que então é excitado e passa a emitir luz visível. Cada sub-pixel é recoberto de um cintilador próprio para emitir as luzes vermelha, verde ou azul. Ou seja, um display de plasma nada mais é do que uma lâmpada fluorescente superdesenvolvida; mas mesmo assim é complicadíssimo montar um painel de plasma tanto é que você pode contar nos dedos as empresas que realmente fabricam os painéis, pois as demais só montam.
COMO FUNCIONA UM DISPLAY DE CRISTAL LÍQUIDO
O termo crystal líquido data de 1888/9 se refere à substância em estado líquido cujas moléculas se alinham quando submetidas a um campo elétrico, mas o primeiro display de crystal líquido é de 1968 e a primeira vez que foi usado com um computador foi em 1986.
A principal diferença entre plasma e LCD é que os pixels de um display LCD não emitem luz, ao contrário dos plamas e com isso todas as diferenças de performance decorrem desse fato. A luz é fornecida por um painel fluorescente que fica atrás do display e o LCD em si é uma grande "chave comutadora" e filtradora de luz, sub-pixel a sub-pixel. Cada sub-pixel pode ser controlado para "deixar passar" mais ou menos luz vinda do painel traseiro, e cada pixel é formado novamente por 3 sub-pixels, cada um contendo um filtro vermelho, verde ou azul.

O LCD é sem dúvida muito mais barato para se fabricar, pois sua construção envolve técnicas similares às dos semicondutores, permitindo sub-pixels muito pequenos. Hoje praticamente todos os LCD’S são do tipo “matriz ativa” onde um transistor (TFT) e um capacitor são usados para controlar com muito mais precisão o alinhamento do cristal.
PLASMA: PRINCIPAL VANTAGENS
1 – A escolha dos cintiladores para os painéis de plasma lhes permite ter a melhor e mais ampla gama de cores.
2 - O ângulo de visão é muito mais amplo, justamente porque a luz é gerada nos próprios sub-pixels do painel.
3 - O contraste é excelente porque o sub-pixel é totalmente escuro quando não emite luz - no LCD o pixel, para ser escuro, tem que "bloquear" a luz vinda de trás, o que não é a mesma coisa, é claro.
DESVANTAGENS
1 - O tamanho do pixel completo não pode ser inferior a cerca de 0,5 mm, logo só se consegue fazer plasmas "grandes" para conter determinada resolução.
2 - Para se obter brilhos intermediários, cada sub-pixel, que só pode estar ligado ou desligado, é ligado a intervalos pré-determinados, de modo que na média ele esteja num estado "ligado" equivalente a alguma coisa no meio. Isso funciona bem para tons mais claros, mas para os escuros é mais difícil conseguir distinguir tons próximos.
3 - Se o observador estiver muito próximo, além da grade dos pixels (é claro, devido aos limites de tamanho deles), perceberá um "flicker", devido ao processo descrito no item anterior. Embora o cérebro não o perceba diretamente, o olho o sente e se cansa mais rápido.
4 - Burn-in (“queima”), é claro, pela mesma razão que as CRTs, ou seja, por usar cintiladores. Embora a burn-in ainda exista e possa acontecer, esse problema já está fortemente controlado, especialmente nas novas gerações. A vida útil da plasma é basicamente determinada pelo envelhecimento dos cintiladores, que vão perdendo sua capacidade de emitir luz depois de "N" mil horas.
5 - A interpolação de imagens de resolução mais alta (tipicamente HDTV) para a resolução nativa das plasmas 42" ainda deixa muito a desejar. Para as plasmas de 50" e acima não há problema.
LCD: VANTAGENS
1 - Os pixels podem ser muito menores que os das plasmas, permitindo altas resoluções em tamanhos menores.
2 - É uma tecnologia muito mais barata do que o plasma, ou seja, um display com as mesmas características básicas (diagonal, resolução, etc) custa menos para ser fabricado na versão LCD.
3 - Os LCDs podem ser vistos de perto (estou a 20 cm de um neste momento), pois não têm "flicker".
DESVANTAGENS:
1 - O ângulo de visão é mais restrito porque a luz é emitida pelo painel fluorescente atrás dos 2 polarizadores, logo apesar da grande melhora nesse aspecto, nunca será a mesma coisa que no plasma.
2 - O contraste dos LCDs é significativamente inferior, especialmente no que tange ao nível dos pretos, pois o painel bloqueia a luz em vez de se apagar, logo o pixel nunca fica realmente escuro.
3 - As cores mais escuras têm pouca fidelidade (de cor) pela mesma razão.
4 - A latência real é alta, muito mais alta do que especificado pelos fabricantes, que a medem apenas numa situação "ideal", embora prevista em norma.
5 – o efeito fantasma existe e é visível em cenas escuras. Esse problema também vem sendo melhorado.
6 - A luminosidade do painel traseiro não é uniforme, fazendo com que algumas áreas da tela sejam mais brilhantes do que outras, embora esse efeito seja pouco visível pela natural heterogeneidade das imagens exibidas.
7 - A interpolação de imagens de resolução mais baixa (tipicamente DVD) para a resolução nativa do LCD ainda deixa muito a desejar. Para isso não precisa ser nenhum especialista, basta ir a qualquer loja e observar as bordas de qualquer objeto se mexendo numa fonte em DVD.
Meu objetivo é esclarecer que muitos dos “defeitos” de cada tecnologia são fundados no próprio princípio de funcionamento delas. Mesmo que os fabricantes melhorem, usando idéias criativas, softwares mais complexos, sempre haverá limitações naturais. Assim como o Burn-in do plasma e também o pior contraste do LCD.
Fica evidente que as especificações dos fabricantes são um mero “guia”, número como contraste 10.000:1 nas plasmas e latência de 8ms nos LCD’s são coisa do tipo “PMPO” como acontecia nas vendas de aparelhos de som na década de 90.
Abaixo de 40/42" o LCD reina absoluto e acima de 50" o plasma domina o mercado.Nessa faixa de 40/42" parece estar a maior competição. Na minha opinião, apesar de oferecer uma resolução muito maior que o plasma nesse tamanho, o LCD ainda tem um bom caminho a percorrer como monitor de TV de baixa resolução, a conversão ainda deixa a desejar e fica bastante atrás do plasma. Já como fonte HDTV, nesse tamanho, o LCD tem realmente uma imagem muito boa. Mas nem todos os plasmas 42" são livres de upscaling (dispositivo que melhora a definição). Particularmente, eu tomaria cuidado com aqueles de resolução 4:3 pelo mesmo motivo, estou mais preocupado com fontes 480p (DVD) que são a realidade de hoje.
Acho que é isso!
Espero ter contribuído por esclarecer um pouco essa questão. A escolha de compra fica a seu cargo.
Julio Martins é um dos editores da Videosol e está ainda muito feliz com sua Sony Wega de tubo de imagem.
(O conteúdo dos artigos desta seção é de inteira responsabilidade de seu autor)






