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Museu de Arte Contemporânea – Mac/Niterói
Inaugurado em 1996, o Museu de Arte Contemporânea (Mac-Niterói) instiga por sua forma e localização. Uma nave que parece planar à beira do mar é o corpo onde mora a cultura. Uma rampa em espiral vermelha é o tapete por onde todos os povos podem circular. E uma lâmina d’água ao pé da estrutura integra a superfície da plataforma de lançamento ao oceano, posicionando toda a obra suspensa no horizonte. Uma criação orgânica, nascida como que por emanação da própria extravagância da baía de Guanabara.
Circulares são as linhas preferenciais do projeto. Segundo o próprio Oscar Niemeyer, pai da idéia, o ambiente pedia uma obra com estas formas. “Como é fácil explicar este projeto! Lembro quando fui ver o local. O mar, as montanhas do Rio, uma paisagem magnífica que eu devia preservar. E subi com o edifício, adotando a forma circular que, a meu ver, o espaço requeria”, disse ele em suas explicações necessárias.
Suspensão, mobilidade, amplitude e visibilidade de todos os pontos. Estas impressões são impossíveis de se retirar da mente. À cima do chão e à cima do mar, dentro de uma concha de 360º de rotação, com completa visão panorâmica, atinge-se todos os ângulos. Desde a entrada, na rampa espiralada a intenção é fazer o visitante explorar o ambiente. À medida que se desloca sobre o caminho, o observador é levado a prospectar as belezas ao seu redor, de um lado e de outro: museu e rua, mar e montanhas.
Além de magnífico, o projeto se sustenta sobre um tripé conceitual. As três dimensões trabalhadas: cultura, meio ambiente e sociedade estabelecem o elo entre a forma e a filosofia da arquitetura de Niemeyer. Cada um destes entes estão representados com maestria e justificados com louvor na lógica da percepção prática. A nave é o símbolo da cultura, situada em ponto de destaque e elevação. A rampa é repositária da sociedade, intercâmbio do povo ao conhecimento. O meio ambiente é a imposição do cenário natural sobre a obra.
Manifestação artística de puro encantamento e subjetivismo personificado como uma oferenda do homem ao universo. Na boca mar, sobre o precipício, a leveza e o intocável tão reais, entregues pelas graças e sutilezas da mente genial de um mestre.
Luciane Toledo / Portal Videosol
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