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Crítica

PEQUENOS BURGUESES: GORKI É O MÁXIMO

Por Sandra Emilia (*)

Emilia_sandra_foto2.jpg Máximo Gorki: pseudônimo de Aleksei Maksimovich Peshkov escritor, romancista, dramaturgo e ativista político russo. Uma de suas obras mais proibidas e, portanto, uma das mais conhecidas e comentadas: Pequenos Burgueses – em cartaz na Casa de Cultura – retrata um ambiente familiar onde se desenvolve todo o conteúdo emocional e intelectual desde seu começo até sua degradação, mas que pode acontecer em qualquer família. Um chefe de família burguês, mesquinho e com uma autoridade asfixiante, uma esposa submissa, um filho intelectual e uma filha deprimida – reprimidos pelo pai – e um filho adotivo, operário com o perfil exato do herói que pode conduzir a Rússia à revolução. Estes são os ingredientes para o colapso familiar no qual, em cada personagem, há um impacto psicológico que retrata a Rússia de 1900 e não por acaso Gorki começou a escrevê-la quando ainda se encontrava preso. Um texto que oprime, mas que não deixa de ser belo.

Mas, no entanto, o que quero ressaltar é o trabalho de um grupo de estudantes da UFJF que soube escolher um dos maiores e mais belos textos da dramaturgia russa e que encena Pequenos Burgueses com uma simplicidade que emociona: emociona pela adaptação que em nada comprometeu a essência do texto (só lamento ter suprimido o monólogo do personagem Nil, o filho adotivo...), emociona pela “garra” do elenco, emociona pela simplicidade do cenário - mesmo achando que poderia ter sido mais criativo. Mas não importa. Importa que é um trabalho cuja pretensão é mostrar força, talento e vontade de fazer ainda que sem os recursos necessários. Vale dizer, porém, que ainda têm muitos erros a serem corrigidos, mas não se deve ter medo de errar, melhor errar do que não fazer.

Foi surpreendente ainda ver um elenco talentoso, ressalvando apenas um certo exagero na composição do personagem Teteriev e um Nil um pouco passivo, o que não condiz com sua personalidade, porém destaco o trabalho de Fernanda Bastos que interpretou a mãe Akoulina que, na medida certa, compôs um personagem sem exageros, sensível, com uma expressão facial que em nada lembra a jovem que ela é. Parabéns Thiago, parabéns a todos!

Termino este comentário com a certeza de que o futuro das artes cênicas local está se fazendo agora.


(*) Sandra Emilia é atriz, produtora teatral, diretora-secretária da Associação de Produtores de Artes Cênicas – APAC/JF e Coordenadora do Movimento Arte e Cidadania - Juntarte

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