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Lançamento
Sangue novo à literatura juizforana
Juiz de Fora sempre se caracterizou por uma fecunda produção literária. Grandes nomes do passado e do presente inspiram o trabalho autoral de Tiago Rattes de Andrade, que acrescenta novas páginas ao volume de escritores forjados pelo clima úmido e intenso da cidade.
Aliás, são os contornos dessa cidade que alinhavam os recortes de forte tintura social presentes em alguns de seus poemas. A crítica racial sobre uma cidade pretensamente branca, a cultura de bar, a falta de inspiração das pessoas, o superficialidade material da sociedade de consumo, o culto abusivo à imagem, perpassam a observação inquieta e se fixam no papel com certo tom de protesto.
As influências da poesia modernista brasileira e a exigência de um olhar revelador sobre o meio dão a Tiago o atalho para uma busca urgente de identidades. Amante de seu ninho, embora tenha nascido em Pouso Alegre, se considera um autêntico juizforano. O poeta defende os valores locais em contraposição ao modelo centralizador da mídia nacional. Em Vou arrumar as malas e vou embora de São Paulo Tiago confessa “não encontrei a dura poesia concreta de suas esquinas” e completa com o trecho de outro poema “hoje luta é para explicar que existe a boa poesia brasileira fora do rio de janeiro”.
“A lápide do amor - e outras poesias”, livro de estréia do escritor, foi especialmente preparado entre 2002 e 2006. Juiz de Fora é o cenário em que se move o poeta andarilho. São as marcas de um ambiente, por muitas vezes contraditório, que desenharam em sua percepção as letras da poesia. “Juiz de Fora está presente desde a exaltação, até o olhar crítico como descrevo um dia frio, os bêbados caídos, as prostitutas, as crianças abandonadas e as pessoas nos carros com os vidros fechados”, denuncia.
O jovem de apenas 25 anos conta que a experiência de aproximação com a literatura se deu através da música. De Vinícius de Moraes, foi levado a Pablo Neruda e a Ferreira Gullar. “Encontrei ali uma poesia politizada e ao mesmo tempo uma poesia que fala de pequenas coisas, bem ao estilo do que eu pensava”, comenta.
À sua geração, tão acostumada apenas às batidas das baladas, Tiago aponta a arte como opção de reencontro com ideais perdidos. “Há algum tempo a luta do jovem era pela democracia. Hoje, são o consumismo e a violência que sufocam o jovem e o jogam num abismo. Ele acaba se apegando a pequenas coisas. Hoje, faltam oportunidades, faltam outros valores ao jovem. A arte é uma saída”, sentencia.
“A lápide do amor - e outras poesias” contou com o apoio da Lei Murilo Mendes de Incentivo à Cultura. O lançamento acontece nesta sexta-feira, dia 25, às 18h30, na livraria A Terceira Margem.
Quem quiser conferir mais detalhes da produção de Tiago pode acessar os seguintes endereços: www.tiagorattes.blogspot.com, www.myspace.com/tiagorattes e www.fotolog.com/tiagorattes.
(Luciane Toledo / Portal Videosol)
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