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Maioria das mulheres jovens latino-americanas não estudam

Brasília -

MulherDomestica.jpg Dos 22 milhões de jovens latino-americanos que não estudam nem trabalham, 81% vivem nas cidades e 72% são mulheres. O dado consta do relatório Trabalho Decente e Juventude na América Latina, divulgado hoje (2) pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). O documento traça o perfil do jovem que vive na América Latina em relação ao desemprego, à informalidade e à inatividade.

“Os índices de participação das mulheres jovens na força de trabalho são muito menores se comparados com os dos homens. Isso reflete, entre outras coisas, uma certa tradição cultural e a falta de oportunidades para as mulheres que têm que combinar trabalho e obrigações familiares”, diz um trecho do relatório.

A diretora do escritório da OIT no Brasil, Laís Abramo, explica que muitas mulheres que não estudam nem trabalham se tornam mães na adolescência, o que faz com que tenham mais dificuldade para construir uma trajetória de trabalho “decente”. Há ainda o problema do trabalho doméstico, ocupação de boa parte das mulheres na América Latina e das jovens brasileiras.

“Se elas são negras ou indígenas, a situação é pior ainda, porque elas sofrem uma dupla ou tripla discriminação, por gênero, por idade, por condição étnico-racial, então é muito importante que haja realmente um esforço de superação dessa limitação de oportunidades ocupacionais para mulheres jovens”, diz Laís.

A OIT recomenda que as políticas públicas dêem atenção aos serviços de apoio ao cuidado infantil, como as creches, a fim de que as jovens que engravidam possam continuar seus estudos.

O secretário nacional de Juventude da Presidência da República, Beto Cury, explica que no novo ProJovem, programa que unifica seis outros voltados para a juventude brasileira, 51% dos participantes são mulheres. Dessas, 42% já são mães. Segundo Cury, dentro do ProJovem há cursos de formação que podem ser feitos por homens e mulheres, como turismo e hospitalidade, e alguns voltados especificamente para o público feminino, como os cursos ligados ao vestuário.

“Nós procuramos pensar num programa que integre homens, mulheres, negros, brancos, ou seja, o fundamental é que sejam jovens, e que estejam numa linha de muita vulnerabilidade social”, diz o secretário.

Segundo Cury, atualmente 176 mil jovens participam de um dos programas que integram o ProJovem, cujo objetivo principal é dar formação educacional e profissional para jovens entre 15 e 29 anos de idade. Para 2008, está prevista a criação de mais de um milhão de novas vagas. As inscrições começam no início do próximo ano.

“Certamente o governo federal fará uma campanha publicitária divulgando as inscrições do ProJovem, mas é importante estar atento e ligado, porque o programa é desenvolvido em parceria com as prefeituras municipais”, alerta Cury. 

Fonte: Jornal da Mídia

 

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