Notícias
Mezcla seis anos
Show de Marcos Marinho é uma caixinha de surpresas
Oferecer uma festa aos amigos, quando se faz aniversário, é um ritual comum na nossa sociedade. Incomum é ser oferecido como presente. Pois essa foi a forma que Marcos Marinho encontrou para repartir um pouco de si e de sua realização ao comemorar seis anos de existência do espaço cultural Mezcla. O ator subiu ao palco não somente para atuar, mas para cantar suas raízes, num show que ele mesmo chama de “show de palhaço” e que, com certeza, atingiu o mérito de fazer o público sorrir, com inocência raras vezes vista em eventos do gênero.
Dentro do propósito de valorização das culturas latinas, sustentado pelo Mezcla, o repertório garimpou memórias da música indígena, afro, caribenha e brasileira. Um ímpeto lúdico de devotada exaltação às raízes festivas das Américas Central e do Sul. “Canto minha gente, minha terra, minhas origens”, enfatizou.
Da diversidade surgiu um painel latino de canções. Retalhos multicores, de efeito hilariante, articulados ao timbre do artista. Mas como escolher cada bandeirinha desta lona? “Obviamente são músicas de que eu gosto e que eu achei que ia dar conta de cantar”, destacou, revelando seu processo de preparação. “Foi difícil de decorar tudo. Eu tive que fazer um CD e ouvir religiosamente todos os dias”. Já conseguir o tom circense foi mais fácil. “Algumas músicas são engraçadas por natureza, outras eu dei um tratamento de humor”.
O atrevimento em cantar, tem motivações variadas, entre elas o fato de ficar sempre do outro lado do balcão vendo tanta gente passar pelo palco do Mezcla. “Ter a casa com certeza me motivou. Mas tiveram outras coincidências. Comecei a dar canjas com o Quinteto Brasilis. Cantei, me disseram que eu podia cantar e eu acreditei”, afirmou. O argumento final para a concepção do show veio de um curso de palhaço feito, no último ano, no Rio de Janeiro. “Meu professor me incentivou também. Disse que eu deveria fazer um show musical de palhaço”, completa.
Em cena, o ator e agora cantor, ainda leva os músicos que o acompanham no espetáculo a interpretarem. Aliás, eles entram no palco antes mesmo que Marinho. “Para mim, está sendo uma experiência incrível. Geralmente tenho que me preocupar apenas em tocar. Neste caso, têm muitos detalhes para a gente dar atenção. Estou aprendendo muito com o Marinho”, comenta o percussionista e flautista Anderson Guimarães. “Não dá nem para relaxar”, confessa em relação à dupla função na apresentação.
Marinho fica bobo e canta é o nome do espetáculo, mas se reparar bem quem fica bobo é mesmo o público. O show é uma caixinha de surpresas a cada troca de roupa. Um ímpeto de alegria a cada número musical. Crianças ficam de olhos vidrados. Adultos se pegam sorrindo distraídos. Um show feliz, para quem quer ser feliz, com muita consistência cultural. Para Júlio Martins Dantas Filho, recreador e instrutor de capoeira, que se apresentou na inauguração do Mezcla há seis anos, o show não poderia ser mais perfeito. “Começou com as origens e terminou com um pout pourri de samba”, apontou.
Uma hora e meia passada com leveza. Os olhos azuis de Marinho estalados na tintura vermelha iam capturando risos fáceis da platéia. “Toda essa gente irradia magia”, dizia na apresentação inclusiva, que buscava em cada figura similaridades aos contextos cantados. “É tão bom. Há muito tempo, ando desconfiado de que é melhor assim essa troca”, defendeu em referência ao modo de passar mensagens ao público.
Múltiplas caras, múltiplas habilidades. Marinho multiplica um ideal, multiplica a cultura em terrenos tão carentes, multiplica a vontade de fazer com coragem o que é necessário e autêntico. Reparte de si e se multiplica em influências férteis. Afinal, Marcos Marinho é múltiplo até no nome.
(Luciane Toledo / Portal Videosol)
..........................................................................................................................................................
Ficha técnica:
A banda é formada por músicos do Quinteto Brasilis (violão – Fábio Dalpra, percussão – Marcelo Muller e vocais – Aliciane Rodrigues e Andréia Passos), Anderson Fofão (percussão e flauta) e André Oliveira (violino).
Anteriores






