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Música para exportação

Artistas juizforanos rompem fronteiras

 Nem só de café, minério e toda sorte de matéria-prima vive a balança comercial brasileira no tocante a exportação. A arte começa ser um produto amplamente enviado para além-mar. Que o digam os músicos juizforanos que se lançam em projetos bem longe de casa. Pegando a estrada ou a ponte aérea, eles estão rompendo as fronteiras do território e do som. A Europa é principal mercado consumidor desta nova safra da música made in Minas.

Livia_Lucas1.gif Foram os conselhos de uma amiga que convenceram a cantora Lívia Lucas, 24 anos, a alçar vôo rumo à Espanha, mas foi o talento da jovem juizforana que plantou raízes mais fundas em terras catalãs. A carreira internacional não estava nas prioridades a princípio, porém ela não resistiu dar “canjas” em shows que fora assistir. Daí começaram os contatos e abriram-se portas para apresentações que chegaram até Paris nas casas Favela chic, Diva du Monde e Café Bonnie. Hoje, com agenda cheia em Barcelona onde mora há cinco meses e meio, a cantora não sabe quando volta ao seio da família. “Pensava em ficar três meses. Não imaginaria que durante esse curto espaço de tempo as coisas mudariam dessa forma. Minha sobrinha nasceu e eu não pude estar presente”, confessa. 

 Os ventos do norte têm soprado a favor. O repertório de samba misturado ao jazz e ao funk tem agradado aos ouvidos mais apurados. Segundo Lívia, o interesse do europeu por culturas diferentes, sobretudo pelo que é do Brasil, ajuda bastante. A brasileira já até descolou uma produtora, cujo nome faz segredo, com a qual viabilizou as apresentações na França.

 Apesar da boa aceitação do público europeu, nem tudo são flores. A vida no exterior é cara. Para quem está pensando em colocar o pé no caminho planejamento é fundamental. “É preciso pensar duas vezes, repensar e saber muito bem onde está pisando... e acima de tudo, ter um objetivo bem claro, antes de sair do seu lugar”, recomenda a juizforana.

Thessera_Official_Photo.jpg Planejamento mesmo foi o que fizeram os rapazes do Thessera. A banda de metal progressivo recebeu convite para tocar num dos mais consagrados festivais de rock do velho mundo, e desde novembro de 2006 seus dias entraram numa roleta vertiginosa de preparação. Acha que é só farra? Enganou. A organização dos roqueiros foi rigorosa, com reuniões sobre reuniões. Eles também tiveram que estabelecer metas de vendas de CDs e camisas para ajudar nos gastos e toda a viagem foi milimetricamente estruturada em planilhas que expressam dados como custo, quilometragem, alimentação, hospedagem.

 O último show da banda, em Juiz de Fora, que aconteceu em agosto, deixou sabor de saudade. Da próxima vez que tocarem na cidade, os músicos já terão percorrido centenas de quilômetros de estradas pela a Europa e feito mais de uma dezena de shows em três meses de turnê com o CD “Fooled eyes”. O itinerário dos meninos passa pela Holanda, Alemanha, Bélgica, Suíça e Áustria para aportar novamente no país dos moinhos e das tulipas.

E pensar que tudo começou de um convite para os jovens músicos tocarem no ProgPower Europe 2007, na Holanda, evento que acontece anualmente em quatro pontos do globo. A proposta por si só já marcava o ineditismo: Thessera foi a primeira banda brasileira convidada a participar do evento. Uma idéia incendiária aos olhos dos seis integrantes. Um trabalho obstinado para realizar o sonho. É o rock com fortes batidas de responsabilidade.

NandoCosta.jpgSegundo o guitarrista Nando Costa “para fazer um trabalho sólido é preciso estar bem organizado”. Ele aponta que a experiência fez a banda desenvolver um amplo entendimento empresarial. Sobre a estréia no exterior, Nando manda mais uma nota empreendedora: “a expectativa é nos consolidarmos ao fazermos o show”.

Vê-se que exportação é coisa séria, inclusive quando se trata de música. Que venha o sucesso, para que os conterrâneos possam se orgulhar mais ainda deste intercâmbio transcontinental.

                                                                                                            (Luciane Toledo/Portal Videosol)

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