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Produção Cultural é show
Conheça o que está por trás dos eventos culturais
Exposições, peças teatrais, festas, shows, filmes, documentários. O fabuloso mundo dos eventos guarda nos seus bastidores uma intrincada rede de organização chamada produção cultural. Trata-se de todo o percurso feito desde a concepção da idéia até o momento máximo de sua apresentação ao público. Enquanto o público se deleita com o espetáculo, do outro lado da platéia, a equipe que produz eventos culturais sabe muito bem que eles nunca começam na estréia, mas sim finalizam-se ali.
Pode parecer estranho, mas é exatamente este o sentimento dos produtores. Como todo o processo exige gastos consideráveis de energias mental e física, durante meses e até anos, a realização em si do projeto é o encerramento de um ciclo, o fluxo final de um esforço alongado.
Neste caso, planejamento, detalhamento, especificação não são apenas palavras de manual. Para quem pensa em trabalhar com a área cultural, é preciso entender em primeiro lugar que arte e cultura são produtos e necessitam de tratamento profissional como qualquer outro negócio. Embora o mundo da criação tenha um caráter mais livre, nada deve ser intuitivo na hora de formatar projetos. Talento artístico ajuda bastante, mas o que fala verdade no sucesso de programações culturais é o quão racional e meticulosamente foram preparados cada um de seus detalhes.
Em geral o mais difícil é canalizar o gosto pelo ambiente cultural para o ato efetivo do fazer cultural. É comum as pessoas freqüentarem espaços, terem atração pela arte, se envolverem como espectadoras e terem até idéias originais de outras possibilidades de interação. No entanto, muitas concepções geniais deixam de vir à luz por falta de uma visão profissional do que é a produção cultural.
Para o produtor Júlio Zucca, um bom exercício é se perguntar “o que eu quero fazer e como eu vou fazer”. As respostas a essas questões ajudam a clarear o caminho para a elaboração de projetos culturais. O segundo passo é redigir seu projeto, parte importante da formatação. “Coloque as idéias no papel. Organize-as em projetos e deixe os à mão. Eles podem ser requisitados a qualquer momento”, orienta o produtor. Então não deixe as oportunidades passar, porque a sua grande idéia está guardada só na cabeça.
Engenheiro mecânico, com pós-graduação em marketing, Zucca completa que para quem quer se especializar na área o ideal é unir formação acadêmica com a experiência de mercado. No curso rápido que ministrou em Juiz de Fora, durante o Festival de Cinema Primeiro Plano, ele abordou as fases de elaboração de projetos, as leis de incentivo, a captação de recursos e principalmente a prestação de contas. “Fazer o curso me esclareceu muitas dúvidas sobre leis municipais, estaduais e federal. Vai ajudar bastante nos meus próximos projetos”, afirmou a fotógrafa Nina Mello.
O professor faz um alerta: “ninguém deve propor projetos com a idéia de ganhar dinheiro”. Toda a movimentação financeira feita com recursos de incentivos tem que ser criteriosamente documentada sem espaços para a idéia fixa de lucro. Afinal, espetacular deve ser o resultado da ação não o valor ganho com ela.
Informação ainda é o melhor caminho para fazer um trabalho bem feito. Se você já tem uma idéia, procure aprimorá-la, peça ajuda a profissionais experientes, se capacite sempre, submeta seu projeto a avaliação de outras pessoas e comece a agir.
Seduzindo o patrocinador
Chega a hora em que o produtor cultural tem tudo organizado: uma idéia viável, equipe de trabalho, projeto formatado, etapas de execução cronológica e financeira bem estruturadas. Falta somente dinheiro para colocar tudo em prática. Só?
Os mais experientes dizem que ser aprovado em leis de incentivo não é o mais difícil. A peregrinação por patrocínio, esta sim, é a mais árdua das etapas. “Você tem que gastar sua energia na venda do projeto, na sedução do patrocinador. Mostrar o que seu projeto tem a oferecer à empresa, o que ele tem de identidade com os propósitos da organização em questão”, afirma Zucca.
Neste ponto a criatividade se alia à competência. Um bom material, uma boa apresentação e um amplo conhecimento sobre o potencial patrocinador abrem as portas para um sim. Analisar o perfil da empresa e descobrir a que ela está interessada a associar seu nome, evita desencontros de planos.
Hoje, cresce a busca das empresas por uma visão pública de responsabilidade social. Aspecto que favorece o investimento em cultura como um outdoor para uma imagem pública valorizada da instituição. O grupo se mostra inteirado na sociedade além da mera razão econômica, a exemplo de empresas como Petrobrás, Tim, Telemig,Usiminas, Natura entre outras.
O pulo do gato para conseguir aprovar projetos e conseguir patrocinadores está no modo como cada produtor trata cultura. “Trabalhar com cultura hoje é muito sério, precisa ser profissional. A área de cultura precisa de gente querendo fazer as coisas direito e com competência”, estabelece o produtor.
Até o próprio artista, que costuma estar mais voltado para o lado criativo que prático das coisas começa a despertar para essa necessidade. Bruna Provazi, guitarrista da banda Big Hole e produtora do Festival Mulheres no Volante, fez o curso de Produção Cultural na perspectiva de se aperfeiçoar. “Eu fiz a primeira edição do festival, em junho deste ano, meio no feeling, estou buscando ter mais noção dos caminhos para conseguir patrocínio”, diz. Afinal, o mundo dos eventos culturais é um mercado aberto para quem tem boas idéia e muita disposição para trabalhar.
(Luciane Toledo / Portal Videosol)






