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Zuenir Ventura

ZuenirVentura.jpgEscritor fala da juventude       de ontem e de hoje  

  “Para entender a juventude, fui a uma rave”. Com essa afirmação, o jornalista, de 76 anos, Zuenir Ventura surpreendeu a platéia presente à palestra feita em Juiz de Fora, nesta segunda-feira, dia 11 de agosto, dentro do programa Tim Estado de Minas Grandes Escritores. Seu livro mais recente, 1968: o que fizemos de nossas vidas inspirou boa parte das reflexões, uma vez que resgata, nos dias atuais, personagens que fizeram parte dos acontecimentos decorridos naquela data. Inevitável, portanto, foi traçar paralelos entre os sentimentos que moveram e movem as juventudes dos anos de chumbo e da atualidade.

    Sem scripts, como o próprio escritor, se permite fazer, o encontro, no Museu de Arte Moderna, com mais de 200 pessoas, na sua maioria jovens universitários, se desenvolveu pela linha da exposição do processo criativo do livro, perpassado por comentários e vivências do autor, perguntas do público e sobretudo por considerações a cerca de ser jovem no século XXI.

    Zuenir mais uma vez passou pela cidade deixando o rastro de suas lições. Moderno e em dia com seu tempo, o jornalista ainda cultiva a prática profissional à moda antiga, que prefere estar nos lugares e absorver todas as formas de informações pela percepção direta, a fazer tudo pelo telefone. Desta forma, confrontrou os benefícios e inconvenientes das novas tecnologias de comunicação. De um lado, a praticidade de enviar, de casa, por e-mail, suas colunas para o jornal. De outro, o distanciamento entre as pessoas. “Numa época em que tudo é mediado pela tecnologia e o encontro é sempre secundário é preciso lembrar que existe vida além da internet”.

    A experiência em uma festa rave, por exemplo fez parte do seu trabalho de imersão no mundo do jovem moderno. Uma iniciativa no mínimo ousada para um septuagenário. “Apesar da minha má vontade anterior, eu parei e fui ouvir a juventude, essa geração do milênio, que não gosta de política, mas é protagonista da revolução da internet”, comentou. “Fui com a filha de um amigo. O casal mais improvável. Ela com seus 20 anos e eu com os meus 76”, comentou ressaltando, o que para seu espanto, foi prontamente aceito pela geração mais nova. “Teve até um, que me disse: aí coroa, legal, se deu bem”. Sobre a sua sensação no cenário eletrônico, Zuenir disse ter se sentido em Woodstock, dados a grandiosidade, o clima de liberdade e o transe do episódio.

    “Há um 68 dentro de 2008”, conceituou e provocou Zuenir, ao expôr seu olhar sobre a juventude brasileira contemporânea. Embora, essa assuma uma postura completamente oposta à da antecessora, é uma geração que carrega em si o gene da mudança e da vontade de construir um mundo diferente próprio do ser humano em qualquer época. Não por acaso, mudou seu pensamento a respeito. Do alto de sua serena maturidade, o escritor ponderou ser necessário entender essa geração. Afinal a responsabilidade de guiar os mais novos é dos mais velhos. “Quem tem que entender o filho é o pai não o contrário”, estabeleceu.

    Se mover muito mais por necessidades pessoais que por ideiais coletivos é característica do momento econômico e social em que está imersa toda uma geração. As pressões externas agem sobre os sentimentos universais inerentes ao homem e este se exprime de acordo com ordenamentos impostos. “É uma turma muito preocupada com o próprio umbigo, com a angústia do emprego, da violência”, justificou expressando suas esperanças no interesse dos jovens por questões culturais.

    Zuenir ainda lançou luz ao fim do túnel. Em sua andanças pelo país, observa a busca de jovens por uma integração maior com o mundo. Suas palestras estão sempre repletas de jovens envolvidos e interessados com artes, letras, cultura, história, ética e a vida da sua comunidade. Ele acredita especialmente na força das periferias, de onde têm surgido inúmeros exemplos de movimentos bem sucedidos, como o Afroreggae, mostrado em seu livro Cidade Partida.

    O recém-lançado livro, 1968: o que fizemos de nossas vidas buscou personagens reais remanescentes daquele ano, em suas vidas e atividades atuais. Nomes como Fernando Henrique Cardoso, um líder que se tornou presidente por duas vezes. José Dirceu, que também chegou ao governo. Fernando Gabeira e Franklin Martins, participantes do sequestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick nos anos 60 e Caetano Veloso, entre outros. A edição é uma retomada, 40 anos depois, dos fatos ocorridos no cenário político e social brasileiro no ano de 1968 e 20 anos depois do lançamento do livro 1968: o ano que não terminou.

                                                                                       (Luciane Toledo / Portal Videosol)

 

                                                                                                                     

 

 

 

 

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